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Fuck dance, let’s art
Saturday, December 24, 2011
As vezes eu gostaria muito de estar em UK…
An evening of experimental techno and repetitive electronic beats
Wednesday, 21 December 2011 at 21:00 – Thursday, 22 December 2011 at 01:00 (PT)
Nottingham, United Kingdom
An action, event or other thing that occurs or happens again looks at repetition as a tool for the manipulation and control of the masses, thinking about the relationship between repetition, sound and the image; how sound activates text and how the repetition of words, images and actions can create a sense of familiarity or a relationship with something.
Thinking of the television as a sound, image and text provider through its programming and advertising, and advertising and marketing as the manipulation of these subjects; repetition and repetitive techniques are employed to create structures and narratives that are key elements to the success of many sitcoms, TV programmes and magazines. This type of marketing strategy is able to draw in an audience and keep them there, transfixed.
Repetition is also a key element of many music genres; techno, trance, pop, electronica, drum & bass, house; is there a similar formal structure or strategy in place here? An established structure that has the power to control its audience?
This exhibition uses selected artworks, situations and conversations to understand some of these thoughts and ideas by providing a structure where the viewer is free to make their own connections between the works and the ideas within the project.
For more information please visit:
www.meaningfulmeaninglessness.info
www.onethoresbystreet.org
#4
Thursday, December 15, 2011
Marseille é uma das minhas cidades favoritas, sempre que eu posso eu dou um pulo la. No começo do ano eu tinha anotado alguns endereços para visitar e fui passar um final de semana por ali. O lugar que eu mais queria passar eu dexei por ultimo, uma associao café-livraria autogerada que faz uma penca de projetos legais.
Eu cheguei la no final da tarde, abri a porta e de cara eu me senti totalmente deslocado, parecia que eu estava entrando na casa de alguem sem ser convidado. Tinham umas 7 pessoas sentados em uma mesa redonda grande, descascando legumes. Nas paredes dos dois lados tinham estantes com livros, fazines, panfletos e outros documentos, no fundo alguns discos e alguns cabides com roupas usadas. Mais pra frente tinha um mini mezanino a meia altura com um escritorio e uma moto estacionada. Em todas as paredes tinha muito grafite colorido. Estava rolando um ska cantado em ingles britanico no som, alguns cinzeiros transbordando bitucas em cima da mesa e todo mundo batendo papo descontraido, dando risadas.
Quando eu abri a porta de vidro e entrei, todo mundo parou de conversar e olhou para mim. Arght, situaçao desagradavel, nao da para ficar mais timido do que isso. Sem reaçao eu disse ‘bonjour’ como as pessoas polidas fazem ao entrar em um estabelecimento qualquer. E as pessoas me responderam o que seria equivalente em portugues a ‘e ai mano, beleza? Tranquilo?’. Coisa que na frança é muito raro entre pessoas que nao se conhecem, mesmo entre jovens. Eu sei que parece meio bobagem ficar falando dessa senssaçao de desconforto de estar timido nessa situaçao, mas a verdade é que eu tinha bastante espectativas e estava um pouco ansioso para conhecer esse lugar.
Eu estava segurando uma sacola de discos que eu tinha comprado mais cedo na rua 3 Mages, coloquei a sacola em cima da mesa e uma mina de dread lock pediu na hora para eu colocar em outro lugar porque eles estavam usando a mesa. Peguei de volta a sacola e pendurei no braço mesmo. Passei uns 15 minutos fuçando nas prateleiras. Nos discos nada me interessava, as roupas também nao, dei uma olhada nos cartazes e flyers de show, mas também nada do meu gosto. Por outro lado, as prateleiras de livros tinha coisa suficiente para passar um tempao fuxicando. Um monte de titulos que eu nao encontraria em lugar nenhum, tudo de editoras independentes e libertarias. La eu sabia que tinha encontrado o meu tesouro. Escolhi 4 livros e separei uma meia duzia de fanzines. Mas eu nao encotrava o preço das coisas e estava com medo de acabar gastado bem mais do que eu tinha estimado. O pior é que as pessoas que estavam la na mesa nao pareciam estar trampando em uma livraria, é como se todos estivessem em casa ouvindo um som, tomando uma breja, eu nao sabia para quem eu deveria pedir informaçoes. Cabaço que eu sou, cheguei na frente da mesa e como um bom burgues eu digo algo do tipo ‘Com licensa, eu gostaria de saber o preço desses artigos, voces sabem quem poderia me ajudar?”. Quase todos na mesa abaixaram o rosto tentando segurar o riso. Eu fiquei roxo de vergonha mais uma vez. Ja tinha passado por situaçao parecida la em Nice. Uma vez eu estava em um bar associativo, o Volume, e fui pedir uma breja e fiz como eu aprendi a fazer em frances “Bom dia, eu gostaria uma cerveja por favor” o cara atras do balcao nao falou nada, so’ deu um sorriso em me serviu. Mas o cara do meu lado, um punk na casa dos quarenta disse bem alto: ‘ahhh agora eu também quero bancar de burgues, oi amigo, eu gostaria uma breja ae por favor” e rachou o bico dando tapinha nas minhas costas. Naquele momento eu senti que precisava adaptar um pouco o meu frances para esse tipo de situaçao. Mas um ano depois dava pra ver que eu ainda nao tinha aprendido a liçao.
Enfim, voltando a Marseille, uma mina se levanta da mesa e vem falar comigo, ao contrario do que eu imaginava, ela foi super simpatica, pegou os artigos, deu uma olhada e me perguntou: “quanto vc quer pagar?”. Eu nao entendi, olhei para ela, pensei um pouco e respondi “nao sei!” Dai ela colocou todos os itens na mesa e foi vendo um por um. Esse livro custa 3, esse custa 10 e o resto sao todos preço livre, vc paga o quanto vc quer. Caramba, é tao legal que eu nem sei como estimar quanto pagar. Eu enfiei a mao no bolso tinha 30 euros, fucei nas minhas moedas e peguei 32 euros, perguntei para ela 32 é suficiente? Ela me disse mais uma vez ‘o quanto vc quiser!’.
Coloquei os livros dentro na minha mochila e ja me sentia mais a vontade. O simples fato de ter trocado meia duzia de palavras com alguem, um pouco de contato humano ja é o suficiente para quebrar com o desconforto. E dai, ao invez de ir embora depois de pagar, como qualquer um faria em uma loja, eu decidi ficar mais um pouco. Eles deveriam estar preparando uma ratatouille para algum evento, porque tinha comida pra caramba la. Eles ainda estavam descascando tudo, uma montanha de restos de casca se juntava no meio da mesa.
Entao a porta de vidro abre e uma mulher entra com um mixer na mao. Ela tinha um rosto familiar, eu conhecia ela de algum lugar. Fiz um baita esforço para encontrar a ligaçao, mais nao consegui lembrar de nada. Quando ela entrou, ela nem falou oi para ninguem, como se ela ja estivesse la com eles antes. Dai ela coloca o mixer em cima da mesa, olha para as pessoas e diz ‘e voila!’ querendo dizer ‘eu nao disse que arrumaria um? ta ai nao mao!’ E em seguida ela começou a se gabar com frases do tipo ‘cozinha de recuperaçao também tem os seus macetes, carinha!’ Em algum momento ela me me viu e acho que a mesma coisa deve ter passado na cabeça dela, ela também estava procurando uma ligaçao. E quando ela me olhou eu finalmente lembrei, ela estava no acampamento de primavera do Couch Surfing em 2010, no lago do esteron. Na barraca ao lado da nossa tinha um grupo grande de Marseilles, ela deveria estar entre eles. Se eu nao me engano eu joguei taro e bebi pastis com ela. Mas o contexto era completamente diferente, eu nunca poderia imaginar qualquer uma das pessoas do acampamento CS ali naquela associaçao. Mas um bom tempo ja tinha passado e eu nao quis falar com ela. Eu me despedi rapidamente de todo mundo e fui embora.
Fui para Saint Julien, sentei nas escadas, pedi uma pint no bar da frente e fiquei folhando os livros que tinha ‘comprado’. Quando o sol se pos eu fui caminhando em direçao do hostel. Passei no mercado comprei algumas coisas para beliscar e uma garrafa de vinho. Sentei no sofa da sala do hostel e comecei a tomar o meu apertivo. Outros estrangeiros estavam la bebendo cerveja e batendo papo sobre o que tinham visitado no dia. A maioria tinha passado em museus, igrejas, calanques e tal, mostravam fotos uns para os outros e trocavam dicas de passeios. Eu entrei na conversa e quando me perguntarm o que eu tinha feito, eu desconversei e disse que tinha descansado o dia todo. A maioria entre eles estavam se alternando para ir ao chuveiro tomar banho, entao quando todos estavam prontos, eles me perguntaram se eu queira ir pra balada com eles. Nem pensei duas vezes, respondi que nao, eu iria terminar o meu vinho e dormir cedo. Eu ja tinha feito bastante descobertas para um dia so’.
